Etanol de milho ganha força e impulsiona transição energética no Brasil

O agronegócio brasileiro, já consolidado como potência mundial na produção de alimentos, assume também papel central na transição energética do país. No centro dessa transformação está o etanol de milho, que vem se destacando como uma das principais alternativas para a descarbonização e a segurança energética do Brasil.

Tradicionalmente ligado à cana-de-açúcar, o etanol agora tem no milho um protagonista em crescimento acelerado. Em 2017, a produção era de cerca de 500 milhões de litros; em 2023, ultrapassou 6 bilhões de litros, o que representa quase 20% de todo o etanol produzido no país, segundo dados da Unica e da Conab.

O avanço é sustentado por ganhos tecnológicos que aumentaram em cerca de 30% a produtividade do milho na última década, garantindo mais biocombustível sem comprometer a produção de alimentos.

De acordo com Evandro Gussi, presidente da Unica, o Brasil mostra que é possível conciliar produção agrícola, energia limpa e preservação ambiental. Dados da FGV reforçam essa relevância: o agronegócio responde por quase 30% da energia consumida no Brasil e por 60% de toda a energia renovável utilizada.

Um marco importante nessa trajetória é o projeto de lei “Combustível do Futuro”, que prevê o aumento progressivo da mistura de etanol anidro na gasolina, podendo chegar a 35%. Essa medida reduz emissões, diminui a dependência de combustíveis fósseis importados e garante maior estabilidade de preços.

Outro destaque é o RenovaBio, política nacional de biocombustíveis que remunera a eficiência ambiental dos produtores por meio dos Créditos de Descarbonização (CBIOs). Desde 2020, o programa já evitou a emissão de mais de 147 milhões de toneladas de CO₂, reforçando o papel estratégico do etanol na agenda climática.

As montadoras instaladas no Brasil também avançam nesse movimento, investindo em veículos híbridos flex, capazes de combinar motores elétricos com etanol. A tecnologia, já consolidada nos carros de passeio, também começa a ser estudada para caminhões, reduzindo a dependência do diesel.

No campo econômico, o etanol de milho se mostra competitivo, principalmente por sua produção constante ao longo do ano, diferente da sazonalidade da cana. Além disso, gera coprodutos como o DDGS, utilizado como ração animal, o que aumenta a rentabilidade das usinas.

Nos últimos cinco anos, mais de R$ 20 bilhões foram investidos em novas plantas industriais, especialmente no Centro-Oeste. Apenas a Inpasa, maior produtora do país, já responde por quase 50% do etanol de milho brasileiro, com usinas que também geram bioeletricidade e subprodutos de alto valor para a pecuária.

A expansão desse setor contribui diretamente para a meta do governo de reduzir emissões de carbono e fortalecer a independência energética. Segundo estimativas oficiais, os investimentos ligados ao programa “Combustível do Futuro” podem destravar R$ 260 bilhões até 2037 e evitar a emissão de 705 milhões de toneladas de CO₂.

Com o etanol de milho, o Brasil se firma como exemplo global de que é possível unir produção de alimentos, energia limpa e desenvolvimento econômico sustentável.

Fonte: Notícias Agrícolas – Por Andressa