A reciclagem sozinha não vai resolver o problema do plástico. Embora seja uma ferramenta importante, menos de 10% de todo o plástico produzido até hoje foi reciclado. O maior impacto climático desse material está na sua produção, altamente dependente de petróleo, gás natural e carvão, que liberam bilhões de toneladas de gases de efeito estufa todos os anos.
Desde 1950, a produção de plástico cresce em ritmo acelerado, chegando a 460 milhões de toneladas métricas em 2019. Desse total, cerca de 52 milhões de toneladas acabam anualmente no meio ambiente ou são queimadas. Esse processo gerou 2,24 bilhões de toneladas métricas de CO₂ em 2019, aproximadamente 5% das emissões globais. Projeções indicam que esse número pode dobrar até 2060.
Apesar de sua utilidade — presente em óculos, embalagens e equipamentos médicos —, o volume produzido e descartado de plástico representa um grande desafio. As negociações da ONU para criar um tratado internacional contra a poluição plástica, iniciadas em 2022, continuam travadas. O impasse se deve principalmente à divergência sobre incluir ou não limites de produção no acordo, algo rejeitado por grandes produtores de petróleo e gás, como Arábia Saudita, Kuwait e Estados Unidos.
O conceito de “ciclo de vida completo” do plástico, que propõe olhar além da reciclagem e considerar todo o processo produtivo, é o ponto mais polêmico. Para especialistas, reduzir o impacto climático passa não só por reciclar mais, mas também por repensar a forma como o plástico é fabricado e diminuir a sua produção.
Enquanto isso, cada garrafa, sacola ou escova de dentes descartada continua no meio ambiente — e o CO₂ emitido na sua produção permanece na atmosfera, intensificando a crise climática.
Fonte: MIT Technology Review
