A indústria química brasileira, um pilar fundamental para diversos setores da economia, enfrenta um cenário de crescentes desafios, acentuados por dinâmicas geopolíticas globais. Este panorama é intrinsecamente ligado às complexas teias da economia mundial e suas movimentações.
A centralidade de regiões como o Irã e o Paquistão para os corredores logísticos da China, essenciais para a segurança de suprimentos globais. Para o Brasil, essa interconexão tem implicações diretas. Conflitos no Oriente Médio, como as tensões atuais envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, exercem pressão significativa sobre os custos de matérias-primas petroquímicas e fertilizantes, insumos vitais para a agricultura e a indústria nacional. A Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) tem alertado repetidamente sobre como a instabilidade nessas regiões pode elevar os custos de produção no Brasil, impactando diretamente a competitividade e a inflação.
Além dos conflitos, a influência da China no cenário global representa um desafio particular. Enquanto a indústria química chinesa se beneficia de cerca de 1.800 programas de subsídio, a brasileira carece de instrumentos de apoio comparáveis, operando com altos custos de energia e gás natural. Essa disparidade cria uma competição assimétrica, onde produtos importados, muitas vezes subsidiados, inundam o mercado nacional, dificultando o desenvolvimento e a modernização do parque industrial brasileiro.
A interrupção ou encarecimento dos “elos logísticos” globais, como os que passariam pelo Irã na Nova Rota da Seda, teria um efeito cascata. O aumento dos custos de frete e a escassez de insumos básicos, dos quais o Brasil é um grande importador, poderiam agravar ainda mais a situação da indústria química nacional. A segurança de suprimentos, especialmente de fertilizantes, torna-se uma questão de segurança nacional, expondo a fragilidade do país diante de choques externos em regiões geoestrategicamente sensíveis.
Em suma, a indústria química brasileira não pode ser analisada isoladamente das grandes movimentações geopolíticas. A dependência de importações e a falta de uma política industrial robusta que contemple a segurança de suprimentos e a competitividade global a tornam um setor vulnerável. Compreender e reagir a essas dinâmicas é crucial para garantir a resiliência e o desenvolvimento sustentável de um dos pilares da economia brasileira.
Fontes e Referências: Comex do Brasil, CNN Brasil, Abiquim, Texto “Coração Geoestratégico: Porque a China Não Pode Permitir que o Irã Caia” de Ali Ramos
Por: Heloisa Saraiva
