O panorama econômico recente divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revela um cenário de desaceleração progressiva da indústria brasileira, com impactos diretos sobre setores estratégicos como a indústria química. A análise desses dados, combinada a informações externas, permite compreender por que o setor químico tem apresentado crescimento negativo ou desempenho abaixo do esperado nos últimos anos.
Segundo projeções da Fiesp, o crescimento da indústria geral deve cair para cerca de 0,9% em 2025, após uma expansão mais robusta de 3,1% em 2024, com previsão ainda menor para 2026, em torno de 0,6%. O mais alarmante é o desempenho da indústria de transformação, da qual a indústria química faz parte, que tende à estagnação em 2025 e retração de aproximadamente 0,9% em 2026. Esse quadro evidencia um enfraquecimento estrutural do setor produtivo.

A indústria química, altamente dependente de energia, insumos importados e demanda industrial, é particularmente sensível a esse contexto. Um dos principais fatores apontados é a manutenção de taxas de juros elevadas, que encarecem o crédito e desestimulam investimentos produtivos. Como consequência, empresas químicas reduzem a expansão de capacidade e inovação, comprometendo sua competitividade.
Além disso, a queda na demanda por produtos manufaturados impacta diretamente a química, já que ela fornece insumos para diversos segmentos, como plástico, automotivo e construção. Dados recentes mostram retração em setores ligados ao petróleo e derivados, fundamentais para a cadeia química. Esse efeito em cadeia contribui para o desempenho negativo do setor.

Outro elemento relevante é o chamado “Custo Brasil”, que engloba fatores como carga tributária elevada, burocracia e custos energéticos. Esses entraves reduzem a competitividade da indústria nacional frente ao mercado internacional. No caso da indústria química, que compete globalmente, isso pode levar à perda de mercado e até à desindustrialização.
No cenário externo, a incerteza econômica global e barreiras comerciais também agravam a situação. Tarifas internacionais e disputas comerciais têm afetado setores industriais, incluindo químicos e farmacêuticos, reduzindo exportações e investimentos. Paralelamente, o aumento do custo de energia, um fenômeno global, tem pressionado margens e levado à redução da produção em diversos países.
Apesar desse cenário adverso, políticas como a Nova Indústria Brasil buscam reverter a tendência de desindustrialização, incentivando inovação e sustentabilidade. No entanto, seus efeitos ainda são de médio a longo prazo.
Assim, o crescimento negativo da indústria química não é um fenômeno isolado, mas resultado de uma combinação de fatores macroeconômicos, estruturais e globais. A reversão desse quadro dependerá da redução dos custos sistêmicos, da retomada do investimento e de políticas industriais eficazes que fortaleçam a competitividade do setor.
Fontes: Exame, Reuters, FIESP, CIESP, Agência Brasil
Por: Heloisa Saraiva
