A qualidade do ar interno tornou-se uma preocupação central para muitos consumidores, particularmente no contexto de escolher tintas e revestimentos durante reformas ou construções novas.
Os VOCs – Compostos Orgânicos Voláteis são substâncias que evaporam a temperatura ambiente e podem ser prejudiciais à saúde. Sua presença em tintas e revestimentos pode levar a problemas respiratórios, dentre outros.
A quantidade e o tipo de matéria-prima utilizados nas formulações podem variar dependendo de cada produto.
Por questões ambientais e de saúde pública, muitos países e inclusive o Brasil, têm metodologias específicas para medição e controle desse contaminante e dispõe de regulamentações que limitam a quantidade de VOCs.
Os produtos que atendem as normas regulamentadoras são geralmente preferidos, pois ajudam a reduzir a poluição do ar interior das residências e contribui para redução dos poluentes presente na camada de ozônio.
As tintas à base de água foscas, também conhecidas como tintas emulsionadas ou tintas de látex, têm uma composição diferente das tintas à base de solventes. Os principais componentes dos VOCs nestas tintas são:
1. Ésteres: Usados como coalescentes para ajudar a formar a película de tinta após a aplicação. Exemplos incluem o 2,2,4 – Trimetilpentanodiol MonoIsobutirato.
2. Amônia, Amidas e Aminas: Utilizadas para ajustar o pH da tinta e estabilizar a formulação.
3. Compostos Orgânicos Biocidas: Usados em pequenas quantidades para prevenir o crescimento de mofo, fungos, bactérias e alga na tinta, tanto na lata quanto após a aplicação na parede.
A classificação de qualidade do ar interior na Europa segue normas específicas para avaliar as emissões de produtos de construção em ambientes internos. A norma EN 16516 é usada para determinar as emissões de substâncias perigosas dos produtos de construção para o ar interior.
A tabela de classificação nesta norma é usada para informar as emissões de compostos orgânicos voláteis (VOCs) de produtos de construção e é parte fundamental da documentação para a marcação desses produtos.
Essa norma harmonizada europeia, que foi implementada em 2017, serve como base para a marcação dos produtos de construção, indicando as emissões de compostos orgânicos voláteis (VOCs) relevantes para a saúde em espaços internos.
Através de uma etiqueta de classificação de emissões em interiores, de vai de “C” a “A+”, é regulada por entidades nacionais baseadas em padrões europeus.

Na França, por exemplo, essa etiqueta é parte do programa “Émissions dans l’air intérieur”, supervisionado pela Agência Francesa de Proteção Ambiental (ADEME) em colaboração com outras organizações governamentais relacionadas à saúde e ambiente. Outros países europeus podem ter entidades semelhantes que regulam essas classificações, geralmente alinhadas com diretrizes da União Europeia para qualidade do ar interior.
A Agência Ambiental Federal Alemã estabelece níveis de qualidade do ar interior com base nas concentrações de compostos orgânicos totais voláteis (TVOCs), dividindo-os em cinco níveis de qualidade do ar interior, de excelente a insalubre. Esta classificação ajuda a avaliar o impacto dos produtos no conforto e saúde dos ocupantes dos edifícios.
Na Espanha, a regulamentação das emissões de compostos orgânicos voláteis (VOCs) e a qualidade do ar interior em edifícios estão vinculadas ao Código Técnico de Edificação (Código Técnico de la Edificación) e ao Regulamento das Instalações Térmicas em Edifícios (RITE). Estas normas estabelecem os requisitos de eficiência energética e higiene que devem ser cumpridos pelas instalações térmicas em edifícios, e abordam a qualidade do ar interior. Recentemente, o RITE foi atualizado para incorporar diretivas europeias e introduzir modificações que enfatizam o uso de sistemas energéticos recuperativos e renováveis, visando padrões de eficiência energética e uma transição ecológica até 2030.
No Brasil a ABNT dispõe de normas técnicas como a NBR 16274 que fornece uma metodologia específica de como mensurar esses compostos e a NBR 11702 e NBR 15079 definem limites máximos de VOC em tintas e revestimentos no Brasil.
No entanto, a falta de um selo oficial para a divulgação desses valores pode afetar a decisão de compra.
Um selo, visível nas embalagens dos produtos, serviria como um indicativo de que a tinta cumpre com padrões rigorosos relacionados à emissão de VOCs. A existência de um selo é fundamental para informar e assegurar o consumidor sobre a qualidade do produto no que diz respeito ao impacto na qualidade do ar interior.
Como Escolher Tintas Seguras
• Verifique o rótulo: Mesmo na ausência de um selo, muitas tintas incluem informações sobre os níveis de VOC diretamente na embalagem. Deve-se observar se os valores estão dentro do limite aceitável de 100g/l para tintas foscas por exemplo, conforme a norma NBR 11702. Valores abaixo desse limite são considerados ideais. Em outras regiões, como na Europa, o limite máximo de VOC é de 30g/l, de acordo com as normas locais.
• Opte por Tintas à Base de Água: Esses produtos utilizam água em vez de solventes à base de petróleo.
• Consulte Especialistas: Em lojas de tintas, busque aconselhamento sobre as opções de produtos com baixo VOC disponíveis.
• Educação e Consciência: Entenda os impactos potenciais dos VOCs e escolha produtos que minimizem riscos à saúde e ao meio ambiente.
Com a crescente demanda por produtos sustentáveis e seguros, a transparência torna-se essencial. Um sistema de rotulagem bem definido que destaque os níveis de VOC ajudaria os consumidores a escolher de maneira ágil a tinta com menor emissão de VOC. Além disso, as iniciativas de educação do consumidor sobre os efeitos desses compostos e a importância de escolher produtos com baixas emissões são essenciais para impulsionar a mudança positiva na indústria.
Os consumidores têm o poder de influenciar o mercado através de suas escolhas de compra consciente. Optar por produtos que são mais seguros e que colaboram para a sustentabilidade é um passo importante para cada indivíduo contribuir para um mundo na direção de práticas de consumo mais responsável, saudável e sustentável.

Escolher a tinta certa além de ser uma questão de qualidade e estética, também é uma decisão importante para a saúde e a qualidade ambiental de nossos espaços de vida. A implementação de selos como o “Qualidade do Ar Interior” e o cumprimento das normas como a NBR 11702, NBR 15079 e as demais normas regulamentadoras válidas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT são essenciais para orientar os consumidores na compra de produtos mais seguros e sustentáveis. Transparência na rotulagem é fundamental para orientar os consumidores a fazer escolhas informadas, protegendo não apenas a si mesmos, mas também promovendo práticas de consumo responsável.
A existência de selos como o “Qualidade do Ar Interior” é um avanço significativo no mercado de tintas, permitindo que os consumidores façam escolhas mais informadas e responsáveis. Ao optar por produtos certificados, os consumidores contribuem não apenas para a saúde de suas famílias, mas também para um ambiente mais sustentável.
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Fontes do Artigo
https://www.aivc.org/resource/indoor-air-quality-regulations-spanish-case
https://atmotube.com/air-quality-essentials/standards-for-indoor-air-quality-iaq
-Por Wiliam Saraiva
