Os biocidas “in can” são aditivos antimicrobianos essenciais para produtos líquidos, como tintas e revestimentos imobiliários, garantindo a proteção contra a proliferação de micro-organismos durante o armazenamento e transporte. Esses aditivos são projetados para agir dentro da embalagem, preservando a estabilidade e segurança do produto até a sua aplicação. São especialmente críticos em tintas base de água, uma vez que contribuem para a durabilidade, segurança e minimizam o impacto ambiental e à saúde humana.

Composição e Escolha dos Biocidas Os biocidas “in can” podem ser compostos por isotiazolinona, biocidas à base de cobre, aminas quaternárias, entre outros. A seleção do biocida ideal depende das propriedades desejadas e da aplicação específica do produto. Vale lembrar que o uso de biocidas é rigorosamente regulamentado, e os fabricantes devem garantir que seus produtos estejam em conformidade com padrões de segurança e eficácia. Além disso, cresce a demanda por biocidas mais sustentáveis e menos tóxicos, alinhando a indústria com práticas mais sustentáveis.
Sustentabilidade e Toxicidade Reduzida A escolha de biocidas com baixa toxicidade é essencial. Eles devem ser eficazes contra micro-organismos, mas com menor impacto tóxico no ambiente, nos operadores e nos usuários finais. A adoção de certificações ambientais e rotulagem ecológica, como normas de VOC (Compostos Orgânicos Voláteis) reduzidos, reforçam o uso de substâncias menos agressivas.
Otimização da Dosagem Para otimizar a dosagem em formulações a dosagem deve ser correta, pois o excesso de biocida pode ser prejudicial, e a subdosagem pode comprometer a eficácia. Por essa razão, é necessário a adição de dosagens adequada ao produto, que deve ser obtida por meio de testes de resistência ao ataque microbiano na embalagem (ASTM 2574 e ABNT NBR 15821) para garantir a eficácia no controle de micro-organismos sem excesso de resíduos.
Tendências Globais Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, a regulamentação ambiental está cada vez mais rigorosa, com foco no uso de biocidas de baixa toxicidade para a preservação de tintas decorativas à base de água. A União Europeia, através do Regulamento de Produtos Biocidas (BPR), e a EPA (Environmental Protection Agency), nos EUA, estabelecem exigências para que os biocidas tenham perfis toxicológicos seguros e impactos ambientais mínimos. Em muitos casos, o uso de biocidas mais agressivos está sendo restringido, incentivando o desenvolvimento de alternativas mais seguras e eficazes.
Evitar o uso de biocidas persistentes, que podem se acumular no meio ambiente, é uma prática essencial para garantir a sustentabilidade. Esses compostos podem contaminar solos e águas, prejudicando ecossistemas e organismos aquáticos. Alguns exemplos de biocidas persistentes incluem:
- Isotiazolinonas halogenadas (CMIT): embora menos utilizadas atualmente, podem ser persistentes e tóxicas para o ambiente aquático.
- Compostos de cobre (sulfato de cobre): tendem a se acumular em sedimentos aquáticos, causando toxicidade crônica para organismos.
- Piritionato de zinco: pode se bioacumular em ambientes aquáticos, afetando seriamente a fauna local.
- Carbamatos e tiocarbamatos: apresentam riscos tanto para o meio ambiente quanto para a saúde humana, com potencial de bioacumulação em corpos d’água.
Regulamentações Rigorosas na Europa
A Europa possui uma abordagem rígida quanto ao uso de biocidas, principalmente por meio do Regulamento de Produtos Biocidas (BPR) 528/2012 da União Europeia. Esse regulamento controla a autorização, uso e restrição de biocidas com base em critérios de segurança para a saúde humana e ambiental. Algumas substâncias que enfrentam restrições ou proibições incluem:
- Isotiazolinonas (MIT, CIT, BIT): amplamente usadas como conservantes, mas com restrições severas devido a preocupações com alergias e sensibilização da pele. A mistura de CIT/MIT é permitida em concentrações inferiores a 15 ppm, e o MIT isolado em níveis ainda mais baixos.
- Formaldeído e liberadores de formaldeído: formaldeído, classificado como cancerígeno, tem uso altamente restrito, especialmente em áreas residenciais. Liberadores de formaldeído também enfrentam limites estritos, com um máximo de 0,1% (1000 ppm) permitido em produtos de consumo.
- Pentaclorofenol (PCP): um biocida antes utilizado para tratamento de madeira, agora está proibido na Europa devido à sua alta toxicidade.
- Biocidas halogenados (bromo e cloro): compostos à base de halogênios têm seu uso restrito, devido à toxicidade e ao potencial de formar subprodutos nocivos. Seu uso é fortemente regulamentado.

Avaliação e Critérios de Segurança
O ECHA (Agência Europeia de Produtos Químicos) avalia os biocidas quanto à sua segurança para humanos e o meio ambiente. As substâncias podem ser proibidas ou restritas se:
- Forem classificadas como cancerígenas, mutagênicas ou tóxicas para a reprodução (CMRs).
- Representarem riscos significativos para o ambiente aquático ou terrestre.
- Forem persistentes, bioacumulativas e tóxicas (PBT) ou muito persistentes e muito bioacumulativas (vPvB).
A lista de biocidas permitidos e suas concentrações máximas varia conforme novas pesquisas e regulamentações. Para garantir conformidade, fabricantes devem consultar regularmente o Banco de Dados de Produtos Biocidas da ECHA e seguir as diretrizes do BPR. Essas restrições são essenciais para garantir a segurança dos consumidores e minimizar os impactos ambientais, promovendo o uso de alternativas mais seguras e sustentáveis.
A escolha do biocida depende de vários fatores, incluindo o tipo de tinta, as condições de uso, as regulamentações locais e a eficácia desejada contra tipos específicos de microrganismos. Além disso, as tendências em sustentabilidade estão impulsionando a pesquisa e o desenvolvimento de alternativas menos tóxicas e mais ecológicas.
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