Após mais de 20 anos de negociações, o Mercosul e a União Europeia firmarão, no dia 17 de janeiro, um acordo comercial histórico que reajustará as atuais tarifas alfandegárias entre os dois blocos e tem o potencial de criar a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores. O tratado representa um marco relevante na política comercial internacional e sinaliza uma aproximação estratégica entre economias emergentes e desenvolvidas.
O acordo estabelecerá a eliminação gradual das tarifas de importação e exportação, com a redução de tarifas sobre cerca de 92% das exportações do Mercosul e a eliminação de aproximadamente 91% das tarifas incidentes sobre produtos da União Europeia, em um prazo de até 10 anos, conforme o segmento. Para a indústria química brasileira, essa redução tarifária tenderá a diminuir custos de acesso ao mercado europeu, ampliar a competitividade dos produtos nacionais e favorecer a diversificação da pauta exportadora, especialmente em químicos industriais, intermediários e especialidades.
Nesse contexto, a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) avalia o acordo de forma positiva, destacando que a maior integração comercial com a União Europeia poderá contribuir para a inserção da indústria química brasileira em cadeias globais de valor, além de estimular investimentos, inovação e ganhos de produtividade. A entidade também ressalta que a previsibilidade regulatória e comercial é essencial para atrair investimentos estrangeiros diretos, fortalecer o parque industrial nacional e reduzir o déficit estrutural do setor químico na balança comercial brasileira.
Por outro lado, apesar dos avanços tarifários, o REACH (Regulamento de Substâncias Químicas da União Europeia) continuará plenamente vigente. Dessa forma, o acordo não eliminará nem flexibilizará os requisitos regulatórios europeus, exigindo que as empresas brasileiras do setor químico sigam rigorosamente as normas de registro, avaliação e autorização de substâncias. Assim, o tratado amplia oportunidades comerciais, mas mantém elevados padrões regulatórios e ambientais.
Fontes: CNN, Estadão, Abiquim
