Sei que parece reclamação de quem acha que o mundo está mais complicado hoje. Foi assim que minha mãe, uma idosa lúcida e esperta de 90 anos e meio (este “ meio”, ela faz questão de frisar) iniciou sua explicação estes dias, de como tem sido desafiador se manter minimamente atualizada. E, repetindo suas palavras, sem ficar ansiosa para dar conta de tudo. Ela ainda me repreendeu: vocês fazem tudo ao mesmo tempo, mas parece que nunca estão verdadeiramente presentes. E, fechou com: não quero ficar assim!
Concordei com ela; afinal estamos tentando fazer, e bem, mil coisas ao mesmo tempo. O celular toca, chegam mensagens, e-mails, notícias, vídeos, urgências… tudo ao mesmo tempo, disputando nossa atenção.
Claro que as demandas da vida dela são muito diferentes da nossa. Mas há o que aprender…
Enquanto nós vivemos divididos entre telas, notificações e ansiedade, minha mãe continua fazendo uma coisa de cada vez. E acho que existe uma sabedoria nisto. Presença!
Saber escolher onde colocar energia.
Conseguir ouvir verdadeiramente o outro sem olhar o celular.
Cultivar profundidade num mundo cada vez mais acelerado.
Mãe, prometo que vou me esforçar mais!
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