Adesivo de lignina e zeína pode tornar o compensado mais sustentável e reciclável

Pesquisadores desenvolveram um adesivo para madeira totalmente de origem biológica que combina lignina e zeína, proteína extraída do milho. À base de água, a formulação não utiliza formaldeído nem agentes sintéticos de reticulação e apresentou desempenho competitivo na produção de compensados. A inovação também se destaca por permitir que as peças coladas sejam separadas sob demanda, abrindo caminho para a recuperação e a reutilização tanto do adesivo quanto da madeira [1].
Atualmente, adesivos que contêm formaldeído ainda são amplamente empregados na fabricação de painéis de madeira. Embora eficientes, esses produtos estão associados a preocupações relacionadas às emissões de compostos orgânicos voláteis e à qualidade do ar em ambientes internos. Por isso, alternativas baseadas em proteínas, polissacarídeos e lignina vêm sendo estudadas. O desafio, porém, é conciliar desempenho mecânico, viabilidade de produção e baixo impacto ambiental em uma única formulação.
A solução apresentada utiliza a zeína dispersa em um gel micelar viscoso de lignina. Segundo os pesquisadores, o conceito foi inspirado nas interações naturais entre proteínas e polifenóis. Quando aplicado a lâminas de bétula e submetido à prensagem a quente, o adesivo formou compensados de três a cinco camadas com juntas resistentes, sem a necessidade de aditivos sintéticos. O resultado indica que a rede formada pela lignina e pela proteína pode oferecer uma alternativa realista aos sistemas convencionais de origem petroquímica.
Outro aspecto relevante está nos indicadores ambientais do processo. A formulação alcançou pontuação 94 no Eco-scale, favorecida pela ausência de solventes orgânicos, pelo pequeno número de etapas de preparação e pelo uso de água como meio de dispersão. Os autores também registraram baixos valores de fator E e de intensidade de massa do processo, métricas associadas à eficiência no uso de materiais e à redução da geração de resíduos .
A característica mais inovadora, contudo, é a possibilidade de descolagem controlada. As amostras de madeira puderam ser separadas em uma solução composta por 70% de etanol e água. Com isso, o adesivo pode ser recuperado, reprocessado e reutilizado, favorecendo uma lógica de economia circular. Antes de uma aplicação industrial mais ampla, os pesquisadores pretendem aumentar a resistência à água, preservando a reversibilidade, a reutilização e o caráter totalmente biológico do material.


Fontes: European Coatings


Por: Heloisa Saraiva