Autoconhecimento: nem sempre é fácil

Estamos conosco todos os dias. Conhecemos nossos gostos, nossas preferências, sabemos o que nos agrada e o que nos incomoda. Temos uma ideia bastante clara de quem somos. Pelo menos é o que imaginamos.

Mas basta uma situação inesperada para percebermos que talvez não nos conheçamos tão bem assim.

Às vezes, reagimos de maneira exagerada a um comentário, perdemos a paciência por algo sem grande importância ou tomamos decisões que, pouco tempo depois, nós mesmos questionamos.

Por que agimos assim? O que realmente nos incomodou?

Nem sempre sabemos responder. E talvez seja justamente aí que comece o autoconhecimento.

Olhar para nós mesmos exige disposição para reconhecer não apenas nossas qualidades, mas também aquilo de que não gostamos tanto. Nossas inseguranças, nossos medos, nossas dificuldades e algumas contradições que preferiríamos não admitir.

Não é um exercício confortável.

É muito mais fácil responsabilizar alguém por uma discussão do que reconhecer que poderíamos ter reagido de outra maneira. Da mesma forma, quando algo não acontece como esperávamos, nem sempre estamos dispostos a considerar que nossas expectativas talvez tenham sido exageradas.

Isso não significa assumir a responsabilidade por tudo o que acontece, mas reconhecer que também temos participação em muitas das situações que vivemos.

E perceber isso faz diferença.

Uma crítica pode continuar sendo desagradável, mas não precisa ser recebida como uma ofensa. Podemos discordar de alguém sem transformar a conversa em uma disputa para ver quem tem razão.

Claro que nem sempre conseguimos agir assim. Há dias em que a paciência é menor, as emoções falam mais alto e acabamos dizendo coisas das quais depois nos arrependemos.

O problema não está apenas em cometer esses erros, mas em continuar repetindo os mesmos comportamentos sem procurar entender por quê.

O autoconhecimento também tem muito a ver com a maneira como nos relacionamos.

Criamos expectativas sobre as pessoas, esperamos determinadas atitudes e nos frustramos quando elas não correspondem ao que imaginávamos.

Esquecemos, muitas vezes, que o outro tem sua própria história, seus valores, suas limitações e uma maneira de enxergar a vida que nem sempre coincide com a nossa.

Há situações que merecem uma conversa, outras exigem paciência e algumas simplesmente não vão mudar. Saber quando vale a pena insistir e quando é melhor deixar ir também depende de conhecermos nossos próprios limites.

Durante boa parte da vida, fazemos escolhas influenciadas pela família, pelo ambiente em que vivemos, pelas oportunidades que aparecem e pelas expectativas das pessoas ao nosso redor.

Isso é natural. Mas chega um momento em que vale questionar se continuamos seguindo determinados caminhos porque ainda acreditamos neles ou simplesmente porque nos acostumamos.

Nem sempre aquilo que foi importante no passado continua fazendo sentido no presente.

Podemos ter vivido muitas situações, construído uma carreira, criado filhos, enfrentado dificuldades, conquistado objetivos e ainda nos surpreender com nossas próprias atitudes.

A maturidade traz experiência, mas não necessariamente elimina nossas inseguranças, nossos conflitos ou nossas dúvidas.

Talvez uma das coisas boas de amadurecer seja justamente ter mais liberdade para rever opiniões, mudar prioridades e admitir que algumas certezas já não são tão absolutas.

O que antes parecia indispensável pode perder a importância. Aquilo que deixávamos em segundo plano pode passar a ocupar um lugar especial. E algumas escolhas que fizemos no passado talvez já não sejam as mesmas que faríamos hoje.

Não vejo isso como incoerência. As pessoas mudam. Seria estranho imaginar que continuaríamos pensando e desejando exatamente as mesmas coisas durante toda a vida.

E, mesmo com toda a experiência acumulada, continuamos tendo muito a descobrir sobre nós mesmos.

O autoconhecimento não nos torna pessoas perfeitas. Continuaremos cometendo erros, tendo dúvidas e, provavelmente, nos surpreendendo com nossas próprias atitudes.

Mas pode nos ajudar a fazer escolhas mais conscientes, a lidar melhor com as pessoas e a perceber quando precisamos mudar.

Afinal, nem sempre é agradável descobrir certas coisas sobre nós mesmos. Mas é muito mais difícil mudar aquilo que não estamos dispostos a reconhecer.

Se você chegou até aqui e se interessa pelo tema, acompanhe a W2S em nossos canais de comunicação para não perder nenhum conteúdo sobre inovação, governança e tecnologia. Até a próxima!