A indústria de revestimentos está passando por uma grande mudança. Antes, falar de sustentabilidade era algo extra, uma responsabilidade social. Hoje, ela se tornou o coração do negócio, um fator chave para a competitividade. Como Pia Götze, Presidente da Beckers para Europa e África, explicou em uma entrevista recente, o setor está caminhando para um modelo onde ser bom para o meio ambiente e ter sucesso financeiro são a mesma coisa. Essa união, que a empresa sueca Beckers chama de estratégia “Green Lights”, mostra uma tendência forte para 2026: transformar o impacto positivo no mundo em algo que gera valor e lucro.
Para que essa mudança funcione, é essencial poder medir o que está sendo feito. Empresas líderes estão usando ferramentas inteligentes, como o Beckers Sustainability Index (BSI) e o conceito de “True Value”. Essas ferramentas ajudam a transformar coisas como a quantidade de carbono emitida, o lixo produzido e a diversidade na equipe em números que fazem sentido para o negócio. Ao ligar as metas de sustentabilidade aos bônus dos gerentes, as empresas garantem que a redução da poluição seja tão importante quanto o dinheiro em caixa ou o crescimento das vendas. A sustentabilidade, nesse contexto, é vista em três grandes áreas: nas operações, buscando mais eficiência e menos desperdício com energias limpas e melhor gestão de resíduos; nos produtos, criando tintas que poluem menos e fazem mais, com o BSI e as Declarações Ambientais de Produto (EPDs) mostrando o caminho; e nas pessoas, cuidando da segurança, da diversidade e da saúde mental dos colaboradores.
Um dos maiores desafios para o setor químico é lidar com as emissões que vêm de toda a cadeia de produção, o chamado Escopo 3. Para as fábricas de tintas, quase todo o impacto de carbono (cerca de 98%) está nessa parte. A solução envolve trocar materiais que vêm do petróleo por outros de origem vegetal e usar tecnologias de secagem inovadoras, como a cura por UV/EB e processos que usam menos calor. Essas novidades não só diminuem a poluição, mas também economizam energia e dinheiro para os clientes, criando um “handprint” positivo, ou seja, um benefício ambiental ativo que o produto oferece ao ser usado.
Olhando para o futuro, em 2026, a indústria de revestimentos verá uma colaboração ainda maior entre todas as partes envolvidas. Certificações como as Declarações Ambientais de Produto (EPDs) e o compromisso com a iniciativa Science Based Targets (SBTi) se tornarão essenciais para quem quer atuar no mercado global. No fim das contas, as empresas que sobreviverem e prosperarem serão aquelas que entenderem que a sustentabilidade não é um gasto a mais, mas sim o motor principal para a inovação e para um funcionamento mais eficiente.
Fontes: European Coatings, Science Based Targets Initiative, Beckers Group
Por Heloisa Saraiva
