A Próxima Década Pertence aos Construtores: Oportunidades para Industriais

O cenário industrial e energético global atravessa uma transformação profunda, e a McKinsey argumenta que a próxima década será dominada por empresas que assumirem o papel de “construtoras”. Em vez de focar exclusivamente na otimização do negócio principal, o sucesso agora depende da capacidade de criar novas frentes de receita de maneira ágil, com baixo consumo de capital e processos repetíveis. Nesse contexto, a Inteligência Artificial surge como o grande catalisador, acelerando o design de produtos e o engajamento de clientes, enquanto supera barreiras históricas de inovação que tornavam o setor industrial lento e oneroso.

A McKinsey identifica cinco eixos centrais de crescimento que estão redefinindo o setor. O primeiro deles envolve a transição para modelos de receita recorrente, onde vendas únicas são substituídas por serviços de longo prazo, como o sistema de assinaturas de pneus da Goodyear, que garante fluxos de caixa estáveis e maior previsibilidade para os clientes. Paralelamente, os empreendimentos verdes e a circularidade deixaram de ser apenas exigências regulatórias para se tornarem motores econômicos, impulsionados por incentivos fiscais e pela necessidade de descarbonização. Outra frente relevante é o canal direto ao consumidor (D2C), que permite aos fabricantes capturar margens maiores e dados valiosos sobre o comportamento do mercado, utilizando IA para personalizar a jornada de compra.

Além disso, a aceleração da IA e a monetização de dados permitem que ativos de informação subutilizados sejam transformados em produtos lucrativos, com potencial de gerar centenas de bilhões de dólares em receita anual até o fim da década. Por fim, a busca por novos materiais e ingredientes, essenciais para a transição energética, abre espaço para negócios focados em insumos críticos, como o lítio, especialmente em um cenário de regionalização das cadeias de suprimentos.

Para que essas oportunidades sejam plenamente capturadas, as empresas precisam adotar turnos operacionais estratégicos. Isso significa monetizar pontos fortes já existentes, transformando competências internas de logística ou manutenção em ofertas externas de valor. É igualmente crucial migrar para contratos baseados em resultados, onde o lucro está vinculado ao desempenho real entregue ao cliente, e reorganizar os incentivos das equipes para priorizar o valor do cliente a longo prazo em detrimento de transações isoladas. Em suma, a sobrevivência e a liderança industrial exigirão agilidade para construir e escalar novos negócios em um ambiente de mudanças constantes.

Fontes: McKinsey

Por: Heloisa Saraiva