Muitas empresas estão cometendo um erro estratégico com a Inteligência Artificial: focam quase exclusivamente em ganhos de eficiência, ignorando o imenso potencial da tecnologia para impulsionar o crescimento. Segundo artigo recente da Harvard Business Review, o reflexo quase universal entre executivos ao adotar a IA é buscar redução de custos e processos mais enxutos. Contudo, essa abordagem deixa a maior parte do valor na mesa.
A pesquisa aponta que usar a IA como uma ferramenta defensiva para cortar despesas e automatizar o que já existe pode gerar ganhos de eficiência de cerca de 10%. Por outro lado, quando direcionada ao crescimento orgânico, a tecnologia tem o poder de multiplicar o valor de uma empresa em mais de 100%. A pergunta central não deve ser “como automatizar o que já fazemos”, mas sim “como usar a IA para alcançar clientes que antes não conseguíamos”.
Experimentos práticos confirmam essa visão. Campanhas geradas por IA no LinkedIn demonstraram um aumento real de 3,2 vezes nas taxas de cliques quando focadas em expansão de receita. Isso ilustra o “ponto cego do crescimento”: líderes que tratam a IA apenas como um mecanismo de produtividade estão subestimando sua capacidade de criar novas fontes de receita e inovar na experiência do cliente.
Além disso, a jornada de compra, especialmente no setor B2B, já mudou estruturalmente. Estima-se que 94% dos compradores utilizam IA generativa no processo de decisão O funil tradicional está obsoleto. As empresas precisam garantir visibilidade dentro dos próprios modelos de linguagem (LLMs), construindo uma narrativa de marca consistente que os algoritmos possam extrair e apresentar.
Para corrigir essa rota, as organizações devem auditar seus investimentos em IA, analisando qual parcela visa o corte de custos e qual foca na expansão de receitas. A janela de oportunidade é curta. As empresas que se destacarem no futuro próximo serão aquelas que fizerem a transição de uma mentalidade de “IA para eficiência” para uma estratégia robusta de “IA para crescimento”.
Fontes: Harvard Business Review, The Martech Futurist Blog.
Por: Heloisa Saraiva
