O setor químico na Europa vive um momento decisivo. Segundo análise, o retorno ao acionista das empresas do ramo foi negativo entre dezembro de 2022 e dezembro de 2025, ficando atrás do mercado global e de regiões como Estados Unidos e Japão. Em 2025, a utilização de capacidade na União Europeia ficou cerca de sete pontos percentuais abaixo da média histórica de aproximadamente 82%, enquanto os fechamentos de plantas anunciados sextuplicaram desde 2022, atingindo uma fatia relevante da capacidade produtiva da região.
Diferente das crises cíclicas do passado, o relatório aponta que o desafio atual é estrutural. Dois fatores agravam a situação: a concorrência chinesa, que avança em custo e inovação tecnológica, e a desaceleração de setores-clientes como o automotivo, que reduz a demanda europeia. Diante disso, medidas pontuais de corte de custos já não bastam.
A McKinsey defende uma “transformação dupla”: melhorar o desempenho operacional no curto prazo e, simultaneamente, reformular portfólios, ativos e alocação de capital para um cenário estrutural diferente. Segundo o estudo, as empresas com melhor desempenho não tratam estratégia e eficiência operacional como agendas separadas — elas avançam nas duas frentes ao mesmo tempo.
O documento propõe nove boas práticas, organizadas em três pilares: Direção (definir ambição elevada e alinhar a liderança em torno de uma visão comum), Ativação (levar a transformação da diretoria ao “chão de fábrica”, com iniciativas de propriedade das lideranças de linha e incentivos claros) e Execução (criar uma estrutura dedicada, liderada por um diretor de transformação, com rotina semanal disciplinada e uma fonte única de dados).
Um exemplo citado no relatório é o de uma companhia química especializada que, sob pressão de custos e demanda, mobilizou centenas de funcionários em torno de um plano de transformação quantificado e monitorado de perto — resultando em ganho de 30% no EBITDA. Outro caso menciona um funcionário de fábrica que propôs substituir luvas de proteção descartáveis por modelos reutilizáveis, gerando economia recorrente de dezenas de milhares de euros por ano.
A conclusão é: empresas que esperarem por condições de mercado mais favoráveis correm o risco de melhorar operacionalmente enquanto perdem terreno estrategicamente. Já as que agirem agora, combinando decisões estratégicas duras com ganhos reais de performance, têm chance de reconstruir competitividade e garantir espaço nas cadeias de valor do futuro.
Fontes: McKinsey & Company
Por: Heloisa Saraiva
