Bifemetrobina: um novo QoI (fungicida que bloqueia a produção de energia dos fungos) com potencial para renovar o combate à ferrugem da soja

A bifemetrobina (nome ISO; código de desenvolvimento S-2326) é um ingrediente ativo fungicida inédito, descoberto por pesquisadores japoneses e recentemente levado a registro em três mercados-chave: Japão, Estados Unidos e Brasil. A novidade, divulgada no LinkedIn pela companhia detentora do ativo, chega em um momento crítico para a sanidade vegetal da soja, principal cultura do agronegócio brasileiro.

Quanto ao modo de ação, a bifemetrobina pertence ao grupo dos fungicidas QoI (Quinone Outside Inhibitors), o mesmo das estrobilurinas. O composto atua inibindo o complexo III da cadeia respiratória mitocondrial dos fungos – processo conhecido como síntese de quinona externa – bloqueando assim a produção de energia essencial à sobrevivência do patógeno. A classificação QoI foi estabelecida pelo Fungicide Resistance Action Committee (FRAC), organização internacional de fabricantes de agroquímicos, justamente para organizar o manejo de resistência e preservar a eficácia dos fungicidas ao longo do tempo.

O que torna a bifemetrobina diferenciada é o seu perfil de eficácia. Segundo avaliações internas e externas conduzidas até o momento, o ativo demonstra forte atividade contra a ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi) – inclusive contra cepas resistentes aos QoIs já existentes no mercado. Para o Brasil, maior produtor mundial de soja e epicentro da pressão epidemiológica da doença, esse resultado é estratégico: a ferrugem já apresenta resistência documentada a estrobilurinas e a outros mecanismos de ação, reduzindo as opções eficazes de controle a cada safra. Nesse cenário, a introdução de um novo QoI com perfil renovado surge como um potencial instrumento de manejo de resistência, capaz de proteger colheitas e a rentabilidade da produção.

O cronograma previsto aponta para o lançamento de produtos contendo bifemetrobina somente a partir de 2030, após a conclusão do processo regulatório, com planos de expansão do desenvolvimento para outros países.

Em síntese, a bifemetrobina tem tudo para se tornar uma ferramenta relevante no arsenal contra a ferrugem da soja: uma molécula original, de grupo QoI, com eficácia confirmada sobre cepas resistentes e registro em andamento nos três maiores mercados da soja global. Quando chegar às gôndolas, no início da próxima década, terá a oportunidade de ajudar os produtores a equilibrar a equação entre produtividade, custo e sustentabilidade da proteção de cultivos.

Fontes: Sumitomo Chemical Files Bifemetrobin Pesticide Registration (via Linkedin)
Por: Heloisa Saraiva