O Conflito no Irã e a Crise dos Fertilizantes: O Novo Desafio do Agro Brasileiro

A escalada bélica no Oriente Médio, marcada pelos ataques diretos envolvendo o Irã, os Estados Unidos e Israel em março de 2026, gerou um choque imediato no mercado global de insumos agrícolas. Para o Brasil, a maior potência agrícola do mundo, o impacto mais severo não vem das armas, mas da interrupção no fornecimento de fertilizantes nitrogenados, um componente vital para a produtividade do campo.

O Irã consolidou-se como um dos maiores produtores mundiais de ureia, sendo responsável por cerca de 11% das exportações globais. A dependência brasileira desse fornecedor é significativa: em 2025, o Irã e Omã supriram mais de 18% da demanda nacional de ureia, totalizando 1,5 milhão de toneladas. Com o início do conflito, o mercado reagiu com volatilidade extrema. Em menos de uma semana, os preços da ureia CFR Brasil saltaram de US$485 para US$550 por tonelada, refletindo o temor de um bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde transita um terço do comércio marítimo mundial de fertilizantes.

A crise atinge o setor de fertilizantes em três frentes principais: oferta, logística e custos de produção. Primeiro, a retirada de ofertas por parte dos produtores do Oriente Médio cria uma escassez artificial enquanto avaliam os riscos. Segundo, a instabilidade nas rotas marítimas eleva drasticamente o custo do frete e do seguro de carga. Terceiro, a alta no preço do petróleo e do gás natural, matéria-prima essencial para a síntese da amônia, pressiona ainda mais os custos industriais, tornando os fertilizantes nitrogenados proibitivos para muitos produtores.

Embora o Brasil esteja em uma “baixa temporada” de compras em março, o risco para a safra de verão 2026/27 é real. A relação de troca entre o preço do milho e o custo da ureia já atingiu níveis críticos, o que pode levar o produtor a reduzir a tecnologia aplicada no campo, resultando em menor produtividade. Além disso, o Irã é o maior comprador individual de milho brasileiro, e a interrupção desse fluxo comercial cria um desequilíbrio duplo: encarece o que o Brasil compra e dificulta a venda do que o país produz.

Em conclusão, a guerra no Irã expõe a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro à importação massiva de fertilizantes. A crise atual não é apenas um problema de preços, mas um alerta sobre a necessidade urgente de fortalecer o Plano Nacional de Fertilizantes, buscando a soberania produtiva para garantir que a segurança alimentar do Brasil e do mundo não seja refém de conflitos geopolíticos no Oriente Médio.

Fontes: CNN Brasil, Ihara                                                                                                           

Por: Heloisa Saraiva